OBESIDADE DO PESO NORMAL?

PESQUISA DIVULGADA RECENTEMENTE COM MAIS DE DUAS MIL PESSOAS REVELA QUE, MESMO COM PESO ADEQUADO,62% DELAS TEM EXCESSO DE GORGURA LOCALIZADA E CORREM O RISC O DE SOFRER DE DOENÇAS RELACIONADAS AO SOBREPESO. SAIBA MAIS SOBRE ESSE NOVO TRANSTORNO.

Você  nunca teve que se preocupar com a balança. Ao contrário, sempre que se sentiu de bem com a vida, sem a ameaça de doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, ou qualquer outro problema relacionado ao sobrepeso, afinal, ao longo de toda a vida, conseguiu manter o peso indicado como ideal para a sua altura  e idade. Mas, há pouco mais de um mês, os pesquisadores da Clínica Mayo (EUA) divulgaram uma descoberta, que, para muita gente,caiu como uma bomba: a obesidade do peso normal.

A notícia pode parecer contraditória, entretanto foi  o resultado a que os cientistas chegaram após um estudo, que avaliou 2.127 pessoas com IMC (o famoso índice de Massa Corporal) até então considerado adequado. O IMC, muito usado pelos médicos para avaliar grupos de pessoas, é uma fórmula que idica o estado nutricional do indivíduo, desde a desnutrição grave até a obesidade, relacioando o peso à altura por meio de uma equação. Se o resultado for entre l8,5 e 24,9, o peso é considerado normal (veja quadro como calcular o IMC).

MÚSCULO X GORDURA LOCALIZADA

O que o estudo norte-americano demonstrou é que essa conta não é  tão  simples como se imaginava: o IMC não diferencia a massa muscular da gordura. E como a gordura é mais leve do que a massa muscular, a substituição de musculaos por tecido adposo pode acontecer sem alterações n o peso. Foi exatamente isso que os pesquisadores contataram: mais da metade das pessoas analisadas tinha excesso de gordura corporal.

“Um fisiculturista por exemplo,pode ser classificados como obeso”, pois o seu elevado peso corporal pode ter aumentado bastante o IMC. Entretanto ele estaria longe de ser gordo”, sendo, na verdade, muito forte, já que tem grande massa  magra, e não massa gorda. Por outro lado, pessoas com peso considerado adequado podem ter perda muscular massa magra), mas manter uma alta taxa de gordura para seu tipo físico. Nesse caso, apesar de o aparente peso adequado dar uma tranquilidade ilusória, essa quantidade de gordura acima do normal poderá trazer todos os problemas de saúde que um obeso teria”, explica o médico esportivo e coordenador do curso de Treinamento Personalizado do Centro de Estudos de Fisiologia do Exercício da Unifesp, Fernando Torres.

NUNCA PODERIA IMAGINAR QUE ISSO FOSSE ACONTECER COMIGO, PORQUE NUNCA FIQUEI ACIMA DO MEU PESO, NÃO TENHO FACILIDADE PARA ENGORDAR.

DE REPENTE, GORDA

Renata Maia, publicitária de uma famosa academia de São Paulo, 25 anos, 1,65m, 59 Kg, jamais precisou brigar com os ponteiros da balança e, até pouco tempo atrás, acreditava ser dona de uma saúde invejável. Más, ao realizar o exame de bioempedância  (usado para avaliar a composição corporal do paciente) no fina do ano passado, um susto: descobriu que estava com 30% de gordura no corpo.

“Fiz um check-up há alguns meses e deu que meu colesterol estava muito alto, para uma pessoa da minha idade. Nunca poderia imaginar que isso fosse acoantecer comigo, porque nunca fiquei acima do meu peso, não tenha facilidade apara engordar. Estava com 61 kg. Mas o médico recomendou que fizesse atividade física e cortaase, ao máximo, frituras e gorduras. Comecei  a fazer dieta e passei a fazer duas horas de exercícios por dia. Antes, treinava, no máximo,uma hora”, conta a publicitária.

Para a médica do hospital das clínicas (HC) de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Gláucia Duarte, Renata é o típico exemplo de paciente propenso à obesidade e peso normal, pois está dentro da faixa estabelecida como normal, mas, por algem motivo, apresenta aumento de adisposidade corporal.

A endocrinologista do HC faz um alerta: “Por meio desse estudo, indivíduos que visualmente estão adequados podem, na verdade, desenvolver doenças associadas à obesidade ou à sindrome metabólica, caso comprovada a obesida visceral. O principal risco é o desenvolvimento de doenças cardiosvulares – aumento do nível de triglicerídeos, acelerando processos de aterosclerose e maiores chances da ocorrência de eventos como infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC) – e metabólicas – como alterações no equilibrio da glécemia, favorecendo fatores de risco para o diabetes – mesmo na presença de IMC normal”.

Renata Maia permitiu que acompanhássemos seu retorn o ao médico, para checar se a dieta e os exercícios surtiram resultado. O novo exame de bioempedância revelou que tanto esforço valeu a pena: a taxa de gordura corporal em Renata caiu de 30% para 27%. Para manter a conquista, ela deverá continuar o novo estilo de vida.